terça-feira, 11 de maio de 2010

Mas todo mangue também é ninho. Infestado de mosquitos e muriçocas alucinadas. Quando percebemos que o contato físico soa repugnante e o ar periférico parece ruim, não realizamos que a lama esconde um imenso berço. Um útero natural parindo vida em sincopada velocidade. O milagre dissipado de milhares. Ninguém é de todo bom ou ruim... Nem ele. Nem assuntos. Nem pessoas ou lugares...

Personagens. Por fim, sempre eles! Avistava a noite com ares de Bogart. Pensava na Senhora francesa e sua invejada empregada Felicite. Do escritor Flaubert que era sensível e adoraria o clássico Casablanca se tivesse visto, mas o tempo não permitiu... No entanto... Para todo tempo havia um piano velho!

Tudo fora rápido, instantâneo. Uma Polaroid clicada pelo olhar recôncavo que girava a enseada subdividida por toda forma de pavimento, com seus prédios imensos e dantescos, por trás dos óculos de um helicóptero. A malandragem de smoking, outra com o pé no chão. Ou era ao contrário! Um imenso curral de tudo. Isso era Copacabana. E era... Ele.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

O Jornalista e o General
Passamos à vida contando e ouvindo histórias. Muitas vezes não me lembro bem a fonte, confesso. E sobre a veracidade dos fatos, nem sempre conseguiria provar. Mas é curiosa a crônica e sua necessidade quase humana em emergir. Algumas dessas narrativas valem ser repetidas, mesmo que acrescidas de suposições, ou retalhos de informação. Então, lá vai uma dessas que vale reinterpretar. Data do término de uma dessas guerras americanas. Era ano de Vietnã, festivais e protestos vindos de todas as partes do planeta... E batiam em retirada finalmente convencidos, invasores e suas bandeiras. Durante todos os anos de confronto, um hotel servira de embaixada comum a profissionais da imprensa e diplomatas e grupos específicos. Quase sempre coligados aos direitos humanos... E um jornalista de nacionalidade não lembrada, aguardava os acontecimentos, tomando diariamente um Dry Martini, preparado pelo barman do salão principal. Ainda me lembro das imagens aéreas de poucos recursos, e das bombas de Napalm, que espalhavam estilhaços de fósforo branco e queimavam ininterruptamente. Depenavam árvores melhorando a visibilidade. Pele, tronco, carro. Tudo! Diziam que se apagados os resíduos químicos, em instantes reacenderiam. Como velas de aniversário modernas, que enchem o bolo de perdigotos. Que invenção é essa? Ou, que inversão é essa! Muito tempo despendido depois, e a ignorância repetida, sofisticaria armamentos de tal forma, que transformariam em passado tal artefato... Bom, alô, base, câmbio... Ao fim da barbárie e anunciada a debandada, todos observavam a movimentação da capital, Saigon. A retomada do centro por inimigos, ou amigos quase invisíveis, era significativa. Como sempre, pagou-se o preço até a penúltima bala. O prato degustado frio. Paisagens de cinema puído, com fundo vermelho de sangue filmado... Retornemos ao jornalista que embrenhado ao resto dos demais percebia ao longe certa algazarra. Imediatamente se antecipa quase despencando do parapeito e se posiciona na mesma janela que durante todos aqueles anos contornara a haste dos óculos. E a procissão se aproximava. Com seus heróis ovacionados da batalha terminada. Não interessavam as franquias estrangeiras. A comemoração em nome da liberdade condissera com cada metro quadrado de euforia, sempre. Sabe... Sou escritor, e bala... Só de leite... Mas todo mundo ansiava por saber. Ainda não eram tempos de internet. Eis o ponto! Esse é o motivo de todo este conto... Acenando da caçamba de um jipe, vestindo uniforme da mais alta patente, o mesmo minguado e sorridente... Barman! É caríssimo! As mãos que serviram por trás das atividades daquele salão de hospedagem, rasuraram mapas da frente e ordenaram o tabuleiro vivo de xadrez. Traduzindo; eram dados colhidos num salão ocidental. Abarrotado de representantes da imprensa e membros do alto escalão e, principalmente... Informações. Um fluxo tão grande delas, que permitiria durante todo trabalho, apontar ouvidos, colher e imperar manobras de guerra. Quem diria (!)? Depois de muitas talagadas, falava-se muito... E diziam que a bebida do cara era ótima... Um general!

terça-feira, 4 de maio de 2010

Blanca //

A vida doía. Acordar e olhar o rosto cadavérico no espelho, predizendo novamente todas as incertezas, e uma fragilidade ímpar. Tinha reza, tinha santo, profissão que não era emprego. Faltava algo! Acertar a cervical, olhar na linha de um outro prisma. Uma rama desenfreada de porquês. Como quem tentava resolver a história que passou. Remendos não arejam dias vindouros. O olhar passado, remoído, triste. Aquele que se deseja esquecer e adormece agrupado em conchinha, com os últimos fios de cabelo branco e auto-estima.

Um dia disseram que ela queria me ver. Xamã paraguaia que conversava com os anjos. Sonhava em adormecer de vez no seu quinhão de terra. Mas fizera uma família aqui. Todos que se chegavam e achavam um colo. Dizia que os umbrais escureciam a alma como galhadas de arame farpado.

A sombra das costas deveria estar alinhada, aquela outra que pela frente faria caminho. Como batedor que marcha com a coragem nos pés e sabe a responsabilidade dos seus apontamentos. Crê na certeza de que não mergulhar é não saber do lado escuro de um espelho de água. Aquilo que sustenta as costas e te coloca no centro, em fila indiana, compactada e firme, para qualquer percalço. O que se conhece, ou se pensa saber...

Por trás do que se deveria deixar; desprender-se. E retorcido, ao sumo, transformado em energia motriz;

Ela sabia... E como!!

segunda-feira, 3 de maio de 2010

E por vezes me pergunto a quem pertenço. Não me isento do fato de que a princípio possa estar falando de mim. No entanto tudo leva a crer que em algum momento grande, inevitavelmente, nos perdemos disso. Um mínimo de consciência. Acabamos por fim redirecionando o leme para outros cantos... Talvez o comportamento coletivo ou social; ou a busca da sagrada epopéia cívica: casa, família, trabalho (ou renda!). É! Passamos à vida crendo em artifícios divinos sem quase sempre pensar em respeitar o próximo... E é claro que em algum lugar chove novamente... Agora quase todos os dias! Lembra-se de Blade Runner?...!... E da teoria de Gaya? Da esfera lavando a terra e cuspindo engravatados, molambentos, analfabetos e doutores cheios de dente branco. Todos e um ponto só! Ou, o fim? Tudo sobre o mesmo plano espacial. Endereços? Confins do mundo, rua primeira de todas... Que é perto lá de casa! Somos de uma natureza egoísta. Mas faço questão de não concordar. Gostaria de ser vários e estar simultaneamente em todos os lugares para gritar, rugir, ou permanecer em movimentos cadenciados, carregando sacos e reunindo roupas. Esforço humano... Ou humanização!... Amanhã também poderei estar nadando em esgoto e talvez alguém que seja muitos ao mesmo tempo possa me socorrer... Torno a repetir... A razão maior dos nossos dias não seria se desprender para ter mais tempo para focar as necessidades alheias e tentar em conjunto solucionar de vez... Quando distribuírem as possibilidades muita coisa há de mudar senhores...

Bailarina Clássica //

Borboletas, borboletas...

São todas... Borboletas...