Da mesma forma que aplaudimos o improviso, deveríamos louvar a falha... Duas situações extremas: de coragem e... Humanidade... Somos falíveis e isso também é um fato. E a vida continua e passa e o remendo não para a música... Continua e complementa... Como se da obra fizesse parte... SIGA O BLOG... EXPO. BIKES DE AMSTERDAM... LOGO...
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Da mesma forma que aplaudimos o improviso, deveríamos louvar a falha... Duas situações extremas: de coragem e... Humanidade... Somos falíveis e isso também é um fato. E a vida continua e passa e o remendo não para a música... Continua e complementa... Como se da obra fizesse parte... SIGA O BLOG... EXPO. BIKES DE AMSTERDAM... LOGO...
Pensassem vocês que todos daquela vila sabiam dele estariam enganados. Optara pelo isolamento por vontade própria. Em função das circunstâncias! Dizia que transformaria o surto em ato. Simples mesmo: a solidão física de um corpo isolado e livre. Não para ficar trancado pensava...! Preferiria outra deserção ou salvar a alma ou a vida toda... E era conveniente a decisão tomada. Pegou as coisas que eram poucas e foi fazer a vida nas montanhas azuis. As cavernas eram sabidas, mas não freqüentadas e tinha água por todo canto. E um frio de gelo que doía o calcanhar e retornava as lembranças... E viam alguns poucos que passavam o sujeito olhando o tempo.
Depois disseram que era de uma sensibilidade ímpar capaz de enxergar o que os outros não sabiam. E falavam que entoava cânticos que acordavam rosas. Quase que cadenciadas as informações se adiantavam e velozmente eram percebidos seus efeitos...
Certo sujeito passou a caminhar todos os dias. Era negociante e acreditava que se visse aquele homem teria sorte nos negócios. Fulano se banhava nas cachoeiras de baixo quando o outro mergulhava. Acreditava ser quase benta toda água que a pedra despejasse. Era um anjo que nadava!... Cicrano que não chegou até lá teve um sonho e ouviu as preces e curou o espírito de não sei qual mau pressentimento. Era notícia numa cidade quase diminuída de tão pequenininha... E passavam estrangeiros com suas versões apalavradas em banco de igreja.
Chegavam de todos os cantos versões do mesmo enredo do homem, da cura e do poder de uma fé muda, acompanhada de longe por um maltrapilho que não sabia de nada e somente achara uma forma de fugir do hospício estadual...
Tantas eram as mesmas novas que a história envelhecia na metade do caminho... Falou-se muito até que anunciada fora a morte do dito. Alvoroço a parte foram conferir os ossos. Fêmur exposto, juntas, vértebras, caixa craniana. Encontraram a cabana de madeira simples, uma cama e poucas panelas velhas. Sobre o passado alucinado ninguém lembrava mais. Não havia registros naqueles interiores e o nome agora era segredo guardado nos arquivos de Deus. Falaria com o pobre as profundas orações...
Honraram aquele homem de longe sem degustar o risco sonoro da palavra falada!... Saudaram e acreditaram num santo sem voz para fazer ecoar idéias!... Disseram que o turismo local hoje recebe gente de todos os lugares. A cabana promovida a museu e os ossos cremados e transformados em cinza que enchiam frascos pequenos e suspeitos de milagres...
Um senhor nordestino que era faxineiro se tornou professor... E fundou a maior biblioteca rural das Américas com aproximadamente setenta e cinco mil livros... Inspirado em Tróia projetou um jegue de madeira maciça com cangalhas cheias de livro... Trata-se daqueles cestos comumente encontrado nas laterais e de palha... Para correr as feiras depois...
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Da série “Causos” do Interior //
A Senhorinha //
Contam que a senhorinha de cabelo branco e muita idade, ainda sobe na jabuticabeira. Pequenina, torna-se imensa quando organiza uma casa. O marido perdera a lógica pelos caminhos. Lacrimejam de azul, os olhos que um deus generoso fez. Cumprimenta cada andante como quem agradece, embaralhando as idéias nas esquinas, com jeito de criança.
A casa pequena como a dona e de portas sempre abertas é linda. Cumprida termina num pomar, e depois num rio sujo de restos de gente. Mas lindo de se ouvir! Entre o portão e as árvores, uma cozinha com cheiro de tempero, e algumas histórias que dividi e guardo com inimaginável carinho e nenhuma saudade.
Com o portão aberto, sorri generosa a matriarca, convidando suas gerações à refeição. E vizinhos, amigos chegados ou não. Vai saber quem é o que no interior de Minas! Fato é, e verdade comprovada. Não faltavam aqueles que disputavam unzinho lugar à mesa, sucumbindo ao perfume da carne vermelha cozida... Inundando narinas de pêlos de poeira.
Conversa vai, e vem, e vai. Todos os assuntos que a superfície possa alcançar. Histórias do povo, que sempre fazem rir. E as notícias da novela, ou do jornal. Absolutamente, como em todo canto dessa pátria...
Mas gentil, era ela! Que se apinhava feito passarinho pra fazer geléia, ou mexia horas a panela até leite virar doce. E era doçura de flauta, linda de se ver sorrir... Nunca mais vou me esquecer daquela senhorinha. Se realmente vir a galgar todos os degraus, hei de cuidar dos meus, como quem abastece a vida. Dormir só para acordar e recomeçar, até que um sono de anjo me leve de vez...
Concluindo a prosa, certo dia determinado carinha não retornara, e assim fora todos os seguintes. Perguntado sobre o suposto amigo, um dos filhos disse não saber quem era. Da mesma forma a prole concordara e a senhorinha sorria. Com sinceridade desconhecida da capital...
Algumas pessoas são como flores. Pensam passar incógnitas, quando no fundo, são os estandartes de uma justiça realizada. Também não sabia nada, ela. Contudo, além da boa conversa, por alguns instantes, breves que fossem fora mãe novamente. Certas coisas que justificam uma existência inteira... E perdoam o calendário... Para D. D...
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